Estou pensando em abrir um mercadinho no meu bairro. Posso simplesmente alugar o ponto e depois correr atrás do alvará sanitário?
Você até pode alugar o ponto antes de conseguir o alvará sanitário. O problema é fazer isso sem saber se o imóvel consegue atender às exigências da Vigilância Sanitária — e quanto vai custar deixá-lo adequado.
Imagine um empresário encontrando um ponto por R$ 2.000 mensais. O aluguel parece bom. Ele assina, começa a reforma e compra os primeiros equipamentos.
Só depois descobre que precisa fazer adaptações na estrutura, melhorar áreas de armazenamento, instalar ou alterar equipamentos de refrigeração e adequar procedimentos de higiene e controle de alimentos.
O aluguel era barato. O ponto, não.
O que a Vigilância Sanitária vai olhar?
Depende de como o mercadinho vai funcionar.
Um estabelecimento que apenas vende produtos industrializados e embalados não terá exatamente a mesma estrutura de um mercado que também possui açougue, padaria, frios, produção de alimentos ou manipulação.
Quanto maior a quantidade de atividades envolvendo alimentos, maior pode ser a necessidade de estrutura, equipamentos e controles sanitários.
Na prática, podem entrar na análise questões como:
armazenamento correto dos produtos;
refrigeração e conservação;
higiene das instalações;
controle de pragas;
água e limpeza;
manejo de resíduos;
condições dos equipamentos;
manipulação dos alimentos, quando houver;
validade e procedência dos produtos.
Essas exigências não são simplesmente uma lista de documentos. Elas podem representar dinheiro que precisa ser colocado no imóvel.
Um exemplo que muda a decisão
Suponha que você tenha R$ 80 mil para começar.
Você encontra:
Ponto A
Aluguel: R$ 2.000
Adequações necessárias: R$ 30 mil
Ponto B
Aluguel: R$ 2.500
Adequações necessárias: R$ 8 mil
O ponto A economiza R$ 500 por mês no aluguel.
Mas exige R$ 22 mil a mais antes mesmo de o negócio começar.
Para um pequeno empresário, esses R$ 22 mil poderiam estar no estoque ou no capital de giro.
É por isso que o preço do aluguel não é o custo real do ponto.
E se eu quiser colocar um açougue depois?
Esse é outro problema comum.
O empresário aluga o imóvel pensando em um mercadinho simples. Depois percebe que vender carnes, frios ou produzir alimentos pode aumentar o faturamento e decide acrescentar essas atividades.
Só que a estrutura necessária pode mudar.
O que parecia uma pequena alteração comercial pode exigir novos equipamentos, adaptações e controles sanitários.
Por isso, o projeto precisa começar pela pergunta:
“O que exatamente eu quero vender e preparar nesse imóvel?”
Depois vem a pergunta sanitária:
“Esse imóvel consegue atender às exigências para fazer isso?”
E só então a conta financeira:
“Quanto vai custar?”
Então preciso ter o alvará antes de alugar?
Não necessariamente.
Mas assinar o aluguel sem antes avaliar a situação sanitária do imóvel é assumir um risco financeiro desnecessário.
O licenciamento sanitário depende do cumprimento das exigências aplicáveis à atividade e da avaliação da autoridade sanitária competente. As regras podem envolver normas federais, estaduais e municipais. Anvisa — Controle sanitário de alimentos
A Lei da Liberdade Econômica também não significa que um mercadinho esteja automaticamente livre das regras sanitárias. Eventuais dispensas dependem da classificação da atividade e das regras aplicáveis. Lei nº 13.874/2019 — Planalto
A questão empresarial
Antes de assinar o contrato, não pergunte apenas:
“Quanto custa o aluguel?”
Pergunte:
“Quanto preciso investir neste imóvel para que o mercadinho que quero montar possa funcionar de acordo com as exigências sanitárias?”
Essa resposta pode mudar completamente a escolha do ponto.
Onde a Garretto entra
A Garretto analisa o negócio pela relação entre capital, estrutura e regulação sanitária.
Para um mercadinho, isso significa avaliar o que a atividade pretende fazer, quais adequações sanitárias podem ser necessárias e quanto elas representam no investimento antes de o empresário comprometer capital com aluguel, reforma, equipamentos e estoque.
Porque um ponto barato pode sair caro quando a conta sanitária aparece depois.
Referências Bibliográficas
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