Sim. Se a hidromassagem não for corretamente limpa, desinfetada e mantida, ela pode se tornar um meio de transmissão de alguns microrganismos entre usuários. O risco não existe porque uma pessoa utilizou a banheira antes da outra. O risco surge quando a água, o sistema de circulação ou as superfícies não recebem o tratamento sanitário adequado. Em um motel, esse é um dos pontos de maior atenção da Vigilância Sanitária porque envolve diretamente a saúde dos clientes e a reputação do negócio.
💵 Muitos empresários instalam hidromassagens para aumentar o valor da diária em R$ 100, R$ 200 ou até mais por suíte. O problema é que esse diferencial também aumenta a responsabilidade sanitária. Uma única ocorrência envolvendo possível contaminação pode gerar pedidos de reembolso, avaliações negativas, notificações da Vigilância Sanitária e até a interdição daquela suíte.
Que tipo de infecção pode estar relacionada?
Uma hidromassagem mal higienizada pode favorecer a transmissão ou exposição a microrganismos capazes de causar, por exemplo:
foliculite ("espinhas" após o banho), frequentemente associada à bactéria Pseudomonas aeruginosa;
infecções de pele;
irritações nos olhos e ouvidos;
gastroenterites, dependendo da contaminação da água;
infecções respiratórias em situações específicas envolvendo aerossóis contaminados.
Isso não significa que toda pessoa ficará doente.
Mas significa que o risco aumenta quando a manutenção é inadequada.
💵 O problema começa quando a água parece limpa
Imagine esta situação.
Um motel troca a água da hidromassagem entre um cliente e outro.
Visualmente, tudo parece perfeito.
Mas os dutos internos continuam com biofilmes e resíduos acumulados porque nunca passaram por um procedimento adequado de limpeza.
No fim de semana seguinte, dois clientes diferentes reclamam de coceira e pequenas lesões na pele.
A água estava transparente.
Mesmo assim, o risco sanitário continuava existindo.
É exatamente por isso que a Vigilância Sanitária não avalia apenas a aparência da água.
O que a Vigilância Sanitária pode verificar?
Durante uma fiscalização, poderão ser avaliados aspectos como:
procedimentos de limpeza e desinfecção;
frequência da higienização;
qualidade da água;
produtos utilizados;
registros de manutenção;
funcionamento do sistema de circulação;
condições físicas da banheira.
Dependendo da situação, a fiscalização também poderá coletar amostras de água para análise laboratorial.
O que fazer quando um cliente reclama?
Imagine que um cliente informe, no dia seguinte, que apresentou coceira após utilizar a hidromassagem.
O pior caminho é presumir que "foi alergia".
Na prática, recomenda-se:
retirar imediatamente a suíte de uso até uma avaliação técnica;
registrar a reclamação;
verificar quando ocorreu a última higienização;
revisar os registros de manutenção;
realizar uma limpeza completa do sistema;
avaliar a necessidade de análises da água;
documentar todas as medidas adotadas.
💵 Se outro cliente utilizar a mesma hidromassagem antes da investigação, o prejuízo pode aumentar rapidamente.
A suíte inteira pode ser interditada?
Sim.
Se a fiscalização entender que existe risco sanitário relacionado à hidromassagem, a suíte poderá ser interditada até que as irregularidades sejam corrigidas.
Se forem identificadas falhas semelhantes em outras unidades, as medidas podem atingir mais de uma suíte.
Em situações graves, quando houver evidências de risco à saúde dos usuários, outras providências administrativas também poderão ser adotadas.
O erro mais caro é acreditar que trocar a água basta
Trocar a água é apenas uma parte do processo.
O sistema interno da hidromassagem também precisa receber manutenção adequada.
É justamente nesses locais que resíduos orgânicos e biofilmes podem se acumular quando não existem procedimentos técnicos de limpeza.
💵 Muitos empresários investem milhares de reais para instalar hidromassagens e poucos centenas por mês para mantê-las.
Depois descobrem que o verdadeiro custo aparece quando surge uma reclamação sanitária.
Como reduzir esse risco?
É exatamente para situações como essa que o Escritório Garretto desenvolveu o Centro de Controle de Infecção para Meios de Hospedagem.
Aplicamos protocolos inspirados nas práticas de prevenção de infecções utilizadas no ambiente hospitalar, adaptando-os à realidade de motéis, hotéis, pousadas e hostels.
Também realizamos a regularização sanitária, elaboração de Plantas Sanitárias, resposta a notificações, gestão de crises sanitárias, autos de infração, interdições e processos de reabertura.
💵 A hidromassagem deve aumentar o valor da diária, e não o risco financeiro do empreendimento. Um protocolo técnico de higienização custa muito menos do que uma suíte interditada ou uma reputação comprometida.
Base legal
Lei nº 8.080/1990 – competências da Vigilância Sanitária.
Lei nº 6.437/1977 – infrações à legislação sanitária federal.
RDC ANVISA nº 63/2011 (boas práticas relacionadas aos serviços de saúde, como referência para gestão de riscos) e normas sanitárias estaduais e municipais aplicáveis às condições higiênico-sanitárias de meios de hospedagem.
As exigências específicas sobre piscinas, spas e hidromassagens podem variar conforme a legislação local e os regulamentos da autoridade sanitária competente.
Comentários
Postar um comentário